Asanas (lê-se á-ssa-na)— em sânscrito, “postura confortável e equilibrada” – são as posturas físicas do yoga. O objectivo da sua criação, pelos yogis da Índia há milhares de anos atrás, foi o de equilibrar o plano físico, mental e espiritual dos praticantes; porque acreditavam que a saúde do corpo e da mente deve estar em harmonia, para que se possa então transcender ao plano espiritual.
Os asanas contam histórias e é por isso que possuem nomes. Têm um efeito não só físico mas energético: o guerreiro, por exemplo, é uma postura que trabalha a auto-estima, a força, o empoderamento. Como já referi anteriormente, estas posturas não são apenas exercícios físicos; considero que a prática de yoga, quando bem orientada, é meditação em movimento, é mindfulness. Os asanas exigem que estejamos no momento presente enquanto os praticamos, com toda a atenção na posição, no movimento, na respiração. Ajudam-nos, assim, a ganhar consciência das posturas erradas que temos diariamente e dos bloqueios, físicos ou mentais, que carregamos.

 Asanas: benefícios da sua prática

Os asanas conseguem mudar o nosso corpo: aliviam tensões, alongam e tonificam os músculos e massajam os órgãos internos. Harmonizam o sistema circulatório, ao incrementarem a circulação sanguínea; o sistema respiratório, ao alterarem positivamente o ritmo da respiração; o sistema digestivo; o sistema nervoso, ao promoverem o desbloqueio de tensões acumuladas; e o sistema endócrino, ao beneficiarem o trabalho das glândulas e a correcta produção hormonal. Por fim, estimulam a livre circulação de prana – energia vital – pelos nadis, canais onde ela circula; ao desobstruírem estes canais, promovem mais vitalidade e tranquilidade.

 Asanas: a minha visão partilhada

Os asanas, embora sejam apenas uma parte da prática de yoga, são, muitas vezes, a porta de entrada; porque são bonitos e nós somos naturalmente sensíveis à beleza. No entanto, e por estarem aparentemente relacionados às capacidades físicas de quem os pratica, levantam questões e alguma confusão.

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Ouço muitas vezes frases como “não tenho flexibilidade para praticar yoga” ou “jamais conseguiria fazer aquilo”. E estes pensamentos não só afastam muitas pessoas do yoga como, paradoxalmente, aqueles que mais precisam de o praticar: porque a flexibilidade pode – e deve – ser trabalhada, bem como qualquer limitação do nosso corpo. Ao praticarmos yoga vamos, com toda a certeza, aumentar a nossa flexibilidade, a nossa força e mobilidade. E os asanas são desafiantes porque o corpo adapta-se ao que fazemos. E, tal como o corpo, a mente também…
Se vamos todos conseguir realizar todas as posturas do yoga? Não. Porque somos diferentes. Sete mil milhões e meio de pessoas no mundo e não há uma impressão digital que coincida com outra. Não há outro eu, outro tu…

Assim, o nosso esqueleto delimita os nossos limites físicos e, por isso, devemos sempre adaptar a nossa prática a quem somos. O Yoga existe para desenvolvermos consciência e respeito por nós mesmos; para nos tornarmos melhores a cada dia – melhores que nós mesmos e não melhores que os outros.
One size fits all não deve existir numa aula ou prática de yoga. Ultimamente, vêem-se cada vez mais lesões no mundo do yoga, aqui no Ocidente: porque todos queremos fazer tudo o que os outros fazem. E a verdade é que não é preciso conseguir executar um asana no seu expoente máximo ou perfeição (se é que isso existe) para nos proporcionar os benefícios da posição; basta que tenhamos alinhamento correcto e seguro. Conseguir pôr um pé atrás da cabeça pode ser um desafio visualmente interessante, mas será que vai trazer algum benefício à maior parte de nós ou, pelo contrário, magoar-nos? Vai promover a harmonia entre corpo e mente? Devemos responder a estas perguntas para praticarmos conscientemente, com clareza e intenção. Posições suaves, que promovam o desbloqueio de restrições, não são, em nada, menos capazes. Está tudo na intenção da nossa prática. E no amor próprio, que não existe nas comparações. Existe em sermos felizes e sentirmo-nos bem em sermos quem somos, com tudo que isso implica, luz e sombra. Yoga é consciência do todo que somos. E todos, invariavelmente, somos feitos de luzes e sombras…

É por tudo isto que acredito que os asanas não servem para mostrar aquilo que conseguimos fazer, mas sim revelar-nos aquilo que não conseguimos fazer. Para que, consequentemente, possamos trabalhar nesses aspectos. Mudá-los, transformá-los. E é aí, nesse lugar de desconforto, que a magia começa…