The solar plexus, [the navel], is connected with the sun, that’s why it’s called solar plexus. When the first rays of the sun fall on the solar plexus, it’s very good for your body. Doing Surya Namaskar yoga asana in the early morning is very good. Lord Krishna was called Padmanabha, meaning whose navel is the size of a lotus flower. If you become Padmanabha, you become absolutely creative.

Sri Sri Ravi Shankar

Uma das melhores coisas que aconteceu ao tornar-me professora de yoga foi o facto de algumas pessoas muito próximas decidirem dar o passo e virem praticar comigo. É mesmo gratificante e deixa-me profundamente feliz: não só poder partilhar aquilo em que acredito com pessoas de quem gosto muito, como ver tudo o que desperta, aos poucos, nelas e o bem-estar que lhes proporciona. Os ingleses usam uma expressão de que gosto muito, sharing is caring. E eu vejo o trabalho de um professor dessa maneira: amor,  sob a forma de partilha. (saudação ao sol)

Uma das minhas melhores amigas começou a praticar comigo recentemente e foi ela que me inspirou a escrever, hoje, sobre a Saudação ao Sol. Depois de algumas aulas e de explorarmos e aprofundarmos bases e questões de alinhamento, decidi introduzir esta sequência, que faz parte do léxico e do inconsciente colectivo de todos os praticantes de yoga.

Surya Namaskar, literalmente Saudação ao Sol em Sânscrito (saudação ao sol)

Pode ser executado nas versões A e B (regra geral, começa-se por aprender a A, que é mais simples; o encadeamento das posturas varia entre as diferentes linhas e tradições de Yoga). Tem inúmeros benefícios, físicos, mentais e espirituais: se feita num ritmo rápido, esta sequência é uma excelente forma de aquecer e movimentar o corpo, alongando e tonificando os músculos, além de ser um bom exercício cardiovascular; melhora também a circulação do sangue e da linfa pelo corpo. O trabalho respiratório que acompanha os movimentos promove a desintoxicação e purificação dos nadis, os canais por onde a energia circula. Os asanas – posturas – actuam também ao nível emocional, psicológico e nervoso, acalmando emoções, aumentando a concentração e o foco e proporcionando estabilidade mental. Cada postura contrabalança a anterior, alongando o corpo de maneira diferente e alternando também os movimentos em função da expansão e contração respiratória. Afinal, no yoga, a respiração comanda o movimento e esta sequência é o perfeito exemplo disso, e uma forma excelente de perceber e começar a interiorizar esta ligação. E, desta forma, praticar uma meditação activa, mindfulness, uma vez que pousamos o foco e a concentração no momento presente. Como de resto, em tudo no yoga.

Embora seja uma prática em si mesma, opto muitas vezes por introduzir a Saudação ao Sol, na aula, como uma ligação entre as posturas de aquecimento e a restante prática, mais intensa ou não, de yoga. Depois de aprendida e interiorizada, considero que é uma óptima alternativa para praticarmos, por exemplo, quando estamos em viagem, fora dos nossos hábitos e rotinas, e dispomos de tempo e/ou espaço limitado.

surya namaskar

Ao nascer do sol… (saudação ao sol)

Para mim, é também uma excelente de forma de começar o dia e acordar o corpo de forma gentil e suave.
Há dias em que temos que saltar directamente da cama para o duche; há outros em que não. E nesses, em que acordo mais devagar, gosto de beber um copo de água com limão e de realizar uma pequena prática matinal de yoga que, não raras vezes, são exercícios de respiração e várias repetições da saudação ao sol. Adoro a sensação de ter os olhos ainda a abrirem para a luz do novo dia, de pousar a consciência na respiração e começar a alongar lentamente. É como uma ponte, entre o mundo dos sonhos e o mundo acordado, uma forma de passar de um estado ao outro de forma consciente, mindful, harmoniosa e alegre. Gosto de fazer quatro repetições lentas, com movimentos brandos, para ir acordando o corpo suavemente do entorpecimento nocturno e da rigidez natural em que se encontra. E depois de alongar com calma e respirar profundamente, por vezes, faço as restantes repetições a um ritmo ligeiramente mais vigoroso e, noutras, mantenho o ritmo compassado. Depende do dia, é bom variar e deixar fluir, especialmente nestes momentos que são nossos, de profunda conexão interior…
… e exterior! Preferencialmente, esta sequência é praticada na direcção do sol, de forma a estabelecermos e mantermos, também, uma ligação estreita com ele. Ele, a estrela que é responsável pela vida na terra e indispensável para a mesma. Fonte de luz, de calor, de vitaminas, de energia. Venerado e considerado um Deus imortal pelas culturas ancestrais, o sol encarna, no nosso mundo mortal, o ciclo da criação – nascimento, vida e morte – todos os dias. Traz consigo a renovação, a força, a esperança, a alegria, a cada novo dia. E é por isso que, de uma forma ou de outra, mais ou menos espirituais, mais ou menos conectados com a natureza, todos sentimos e percebemos a influência do astro-rei nos nossos corpos e estados de espírito.

Por isto, gosto da sensação de praticar esta fotossíntese matinal, bebendo luz e energia solar, aquecendo o corpo e preparando a mente para o novo o dia. É, acredito, um ritual simples, poderoso e bonito. Um ritual de conexão com o nosso mundo interno, ao mesmo tempo em que abrimos os braços para o mundo lá fora…


O que gosto de ouvir
 para acompanhar as minhas saudações ao sol:

– o silêncio;
– mantras – este, por exemplo;
– a incontornável Follow the Sun, do Xavier Rudd.

Para quem sente vontade de aprender e introduzir esta sequência no seu dia-a-dia, experimentar uma aula de yoga é o primeiro passo: afinal, hoje é sempre o melhor dia para começar!