Definir o que é o yoga é sempre desafiante, independentemente do tempo de estudo e de prática que tenhamos. Porque tem, de facto, algo de indizível, de inexplicável. Algo que só se começa a conceptualizar, individual e intrinsecamente, quando experimentado e vivenciado. Além disso, a maneira como o Yoga é compreendido e praticado, depende da orientação de cada escola.

O que é o Yoga: por onde começar…

Começo sempre por explicar aos alunos que vêm a uma aula pela primeira vez que yoga não é exercício físico. Enaltece e fortalece o corpo, mas não é esse o seu único nem principal fim; é apenas uma das partes e, normalmente, a porta de entrada para a maioria dos praticantes.

Yoga é uma filosofia prática, uma arte milenar que nasceu na Índia. Significa “união” e tem como objectivo o desenvolvimento, harmonização e unificação de quem o pratica. Em suma, busca o auto-conhecimento, através dessa união entre o corpo físico e o corpo mental.

O Yoga Sutra de Patañjali é uma das escrituras clássicas mais conhecidas do Yoga. Patañjali afirma “Yoga Citta Vrtti Nirodha” que significa “Yoga é a cessação dos turbilhões da mente”. Na minha opinião, uma das melhores formas de explicar o que é o yoga é defini-lo como uma prática cujo objectivo é cessar as flutuações da mente; uma prática que nos proporciona consciência, auto-conhecimento e, consequentemente, auto-controlo, mental e físico. O fluxo contínuo de pensamentos e a nossa identificação com a nossa mente – e ego – constituem o grande obstáculo à consciência e à percepção do eu real ou inner self.

Assim, a prática de yoga é constituída não só por técnicas e práticas corporais, respiratórias, de relaxamento e concentração, como também por observações éticas e morais ou códigos de conduta para a vida – Yamas e Niyamas (falarei deles em breve) – que fundamentam e estruturam a harmonia interior e exterior. O objectivo final é atingir o Samadhi (união com o divino ou superconsciência); para os mais cépticos pode-se dizer que o objectivo será o de conduzir ao estado de plena felicidade que já existe dentro de nós mas que, pela identificação com o mundo exterior, convicções e expectativas, não conseguimos alcançar.

O que é o yoga: desmistificar!

É verdade, inicialmente pode ser parecer confuso ou místico. E, por isso, a uns atrai e a outros afasta. Eu sou da opinião que o yoga é para todos. Porque? Porque faz bem. Independentemente de praticarem a filosofia em toda a sua extensão ou de retirarem algo da prática como bem-estar físico ou relaxamento. Tudo faz bem. E tudo faz parte do caminho, que é sempre individual e único, como são todos os caminhos na vida. Por isso, para mim, o importante é começar. É praticar. Sob a orientação de um professor que conduza os alunos em segurança. E o resto vem.

Por isto, convido todos os que me lêem a ficar mais um pouco, a ler outros artigos e a experimentar uma aula; a abrir a mente e os horizontes, a não julgar sem conhecimento, a experimentar sem expectativas e a deixar-se ir. Yoga começa exactamente aí: quando nos deixamos ir. Quando nos desapegamos de convicções próprias e alheias, de medos, de egos, ansiedades e expectativas. E abraçamos o momento presente.