Este é, estou convicta, apenas o primeiro de muitos artigos que escreverei aqui sobre este tema, a relação entre yoga e saúde: porque é que faz bem e porque é que é recomendável a sua prática. Por isso, desta vez, vou tentar enumerar de forma geral muitos dos aspectos que conectam yoga e saúde e, futuramente, irei debruçar-me com mais pormenor sobre cada um deles.

Yoga e saúde física

Como já partilhei aqui, a primeira coisa que procuro explicar aos alunos que vêm praticar pela primeira vez é que yoga não é exercício físico. O yoga é, antes de tudo, um sistema de cura e terapêutica, a vários níveis. É um sistema holístico e, por isso, trabalha o corpo, a mente e o espírito. Não praticamos yoga com o intuito de definir o trícep ou o glúteo, embora o fortalecimento da musculatura seja, sem dúvida, um efeito colateral da prática de yoga. Falar em conceitos como prana, chakras ou mudrás a quem nunca praticou pode ser complicado, tanto para o emissor como para o receptor. Estas definições nem sempre são facilmente assimiladas e não é cliché referir que têm muito de indizível: é preciso praticar para perceber que no yoga existe uma relação estreita, que é ao mesmo tempo um meio e um fim, entre corpo e mente.

Assim, acho que a melhor abordagem inicial é explicar que a prática de yoga proporciona:

  • aumento da força muscular e óssea
  • aumento da flexibilidade
  • melhora a saúde das cartilagens e ligamentos uma vez que os movemos e usamos em toda a sua extensão de movimento, ao contrário dos movimentos iguais e repetitivos que executamos diariamente;
  • energiza e purifica o corpo, uma vez que incrementa a circulação sanguínea e a drenagem linfática o que, consequentemente, melhora o sistema imunitário;
  • melhora a postura corporal, porque além de nos ensinar hábitos de vida mais saudáveis, proporciona-nos consciência do nosso corpo: não é curioso como a grande maioria de nós habita o seu corpo durante décadas mas não o conhece? Vivemos uma vida num corpo e não sabemos o nome dos ossos, músculos e ligamentos que fazem parte de nós!
  • regula a função hormonal;
  • melhora os batimentos cardíacos; muito embora não seja um exercício aeróbico, estudos científicos têm provado que a prática regular de yoga oferece mais resistência cardíaca, bem como, por outro lado, reduz os batimentos cardíacos em descanso, isto porque…
  • nos ensina a respirar! Poderia dizer que “ensina a respirar melhor” mas – na minha própria experiência e de muitos yogis com quem privei – muda completamente, e para muito melhor, a forma como respiramos.
  • por fim: traz vitalidade e saúde à nossa coluna vertebral que é, por razões físicas e energéticas, a zona mais sagrada dentro de todo o sagrado que é o nosso corpo.

The yogi will tell you that you feel and look as young as your spine is elastic

Richard Hittleman

 

Yoga e saúde mental

Embora não haja separação real entre corpo e mente, sendo que um influencia o outro e vice-versa, optei por incluir aqui um separador estratégico, apenas por questões de fluidez de leitura. Afinal, somos “todo” um só
. Em termos de bem-estar psicológico o que é que a prática de yoga proporciona?

  • maior bem estar. Simples assim. Aumenta os níveis de serotonina e baixa os de cortisol e monoamina oxidase (enzima que afecta os neurotransmissores), melhorando significativamente estados depressivos. O neurocientista Richard J. Davidson tem feito muitos estudos – que eu considero realmente interessantes – e demonstrado os efeitos da meditação, tais como o aumento da felicidade e a melhoria do sistema imunitário. Pode-se ler mais sobre tudo isto aqui.
  • ajuda-nos a encontrar um estilo de vida mais simples e saudável;
  • ensina e ajuda-nos a focar no momento presente e, por isso, combate o stress e proporciona mais relaxamento: não só desenvolvemos técnicas de mindfulness, como, através de exercícios e consciência respiratória nos ajuda a activar o sistema parassimpático do nosso cérebro, responsável por desacelerar a respiração e os batimentos cardíacos e irrigar a circulação sanguínea nos intestinos e órgãos reprodutores;
  • equilíbrio: uma vez mais, físico e psicológico, andam de mãos dadas. Como explico aqui, os ásanas (posturas do yoga) relacionam o nosso corpo físico com os outros corpos subtis, como o corpo energético e o corpo mental.
  • mais qualidade do sono (e significativas melhorias para quem tem, como eu já tive, problemas de insónia);
  • aumenta o amor próprio, a consciência de nós próprios, porque nos conecta com o nosso inner self. Ensina-nos a cuidar de nós. Não é só uma questão de auto-superação mas sim de auto-aceitação. O yoga ajuda-nos a aceitar as nossas limitações, bem como nos motiva a trabalharmos e aspirarmos ao melhor de nós próprios, em várias instâncias da nossa conduta; partindo sempre de uma abordagem de conexão: yoga é união, não competição. Nem connosco, nem com os demais.

E a lista poderia – e vai – continuar! Para já, espero que ajude a aguçar a curiosidade de quem ainda não experimentou uma aula de yoga e traga a motivação para dar o primeiro passo (sempre sob a orientação de um bom professor, leia-se, um professor apaixonado pela prática e que guie os alunos em segurança). Afinal, hoje é sempre o melhor dia para começar!

yoga e saúde